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Concorrentes invisíveis: quem são? Onde vivem? Como roubam seus clientes?

Concorrentes invisíveis: quem são? Onde vivem? Como roubam seus clientes?

Uma das primeiras coisas que as pessoas pensam, ou deveriam pensar, quando abrem um negócio é em quem são seus concorrentes. Mas de forma errônea, essa definição geralmente inclui apenas as empresas que vendem o mesmo produto ou serviço, e deixa de lado os concorrentes invisíveis do negócio. Isso torna qualquer análise limitada, e faz com que estratégias sejam administradas de forma ineficiente.

Mas antes de identificar esses concorrentes, precisamos saber o que fazer com essa informação, certo? Conhecer as empresas que competem com a sua faz com que você seja capaz de identificar como se compara a eles. O que tem de melhor, e o que não tem em relação a eles. Só com isso, é possível saber no que investir dentro do negócio e em como sua empresa se diferencia das outras.

Além disso, observar o concorrente é uma forma de ficar de olho nas inovações que ele produz, quais estratégias eles já tomaram que deram certo e errado e porque isso aconteceu (não estou falando para copiar, mas o aprendizado dele pode também ser um aprendizado seu), se seu negócio é novo você pode ter várias pistas sobre seu mercado alvo, entre várias outras coisas.

Entendido o porquê, apresento algumas dicas de concorrentes que não são óbvios para você analisar dentro do seu mercado.

1. Concorrência pelo dinheiro: Não é fácil de identificar esse, mas é algo que se pode pensar. Quem é a empresa/produto/serviço que concorre pelo dinheiro do seu concorrente? Pensando no seu publico-alvo, o que acontece na vida dele e quais dúvidas ou decisões ele pode ter naquele momento? Um exemplo disto é um curso de MBA que pode concorrer com uma festa de casamento ou com o nascimento do primeiro filho, ambos que tomam tempo e dinheiro da pessoa. Como adaptar seu curso de MBA para que a pessoa que escolher fazê-lo possa dar conta de fazer os dois, ou quem sabe lembrar de você assim que casar ou quando o filho já tiver mais velho?

2. Concorrência geográfica: a globalização abriu muitas oportunidades para as empresas estarem presentes no mundo inteiro por meio do e-commerce. O concorrente que era antes a loja ao lado ou da região, pode ser de outra cidade, estado ou até país. Mas isso envolve tanto ameaças como oportunidades. Um exemplo são as empresas chinesas que tem produtos a preços baixíssimos, mas geralmente tem um prazo de entrega longo, custo de frete as vezes caros, possibilidade da encomenda ser barrada na alfandega, e uma qualidade duvidosa de produtos, muitas vezes muito diferentes dos anunciados. Tem gente que transforma isso em oportunidade e importa alguns itens para ter em estoque em sua loja. Identificar o que é importante para quem compra pode gerar ideias.

3. Cultura maker: é uma tendência muito forte e apareceu no 2020 Topics and Trends Report do Facebook como algo a ficar de olho no Brasil. Trata-se do novo hábito de fazer com as próprias mãos, coisas que antes as pessoas contratavam ou compravam de alguém. Durante a pandemia ficou ainda mais forte com estabelecimentos fechados, e as pessoas tendo que fazer algumas coisas sozinhas como: cortar cabelo, fazer depilação, fazer as próprias unhas, cozinhar... Então nesse caso o concorrente do salão é o próprio usuário, do restaurante por quilo é a marmita que a pessoa leva da casa dela para o trabalho. Pensando nisso, como a sua empresa hoje pode se adaptar para levar em conta essa tendência? Para o restaurante por quilo pode ser oferecendo opções de marmitas, ou quem sabe fazer o cardápio indicado pela nutricionista da pessoa e entregar no escritório dela. Até o vegetarianismo/veganismo hoje é um concorrente para o restaurante que só serve carne.

4. Sistemas fechados: Nem tanto um tipo de concorrente, mas uma forma de agir e alterar o conceito de concorrência, e a Apple é o melhor exemplo.  O smartwatch da Apple não compete com o smartwatch da Samsung, se o usuário já tiver um Iphone. Isso porque há uma dificuldade de parear dispositivos de outras marcas com os dispositivos da Apple. E quanto mais dispositivos da Apple você tem, menores as chances de você mudar pra Samsung, pois perde toda a questão de conectividade entre aparelhos. Eu já ouvi de amigas que consideram os celulares da Samsung melhores que o Iphone, mas como já tem o relógio, o tablet, o computador da Apple, não comprariam o celular da Samsung. Agora, pensando no seu negócio, como você poderia fazer algo parecido que crie uma fidelidade ao seu produto? Lembrando que não precisa ser tão tecnológico, pode ser um produto que complementa outro produto (sem venda casada, ok?). Um exemplo mais simples, quem tem uma pulseira da Pandora dificilmente consegue comprar pingentes da linha da Vivara, por uma questão de encaixe entre a pulseira e os pingentes.

Com todos esses exemplos, gostaria de provocar uma reflexão sobre sua empresa, produto ou serviço. Quem são os seus concorrentes afinal? O que você poderia mudar na sua forma de atender seus clientes a partir desses dados? Quais parcerias você poderia fazer com empresas que não vendem exatamente o mesmo produto que você? O que pode ser alterado no seu produto e na sua estratégia de negócio? Só tenho certeza de uma coisa, qualquer um pode tirar insights muito valiosos na avaliação de concorrentes não óbvios.

Marketing na Era Digital
Patricia Gatti Marchesi
Patricia Gatti Marchesi Seguir

Profissional de marketing com experiência em consultoria. Trilha novos caminhos em empresa própria, sob medida para a era digital

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