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Diga-me com quem andas, que te direi quem és!

Diga-me com quem andas, que te direi quem és!

Muitos temas ficaram em evidência com o advento do marketing digital, mas isso não significa necessariamente ser popular. A etnografia (netnografia na web), um tema tão importante para o marketing (sim meus caros, digital é um canal do mesmo bom e velho marketing), que deveria ser mais apreciado e usado com maior frequência.

Netnografia – é uma técnica de pesquisa antropológica utilizada em marketing com objetivo de identificar comportamentos on line, de forma a decodificar o consumidor, com objetivo de gerar insights e inovação. É um método da antropologia que utiliza a discrição do objeto de estudo como base para o mapeamento cultural de um grupo.

Já a antropologia que criou a etnografia, ou no caso da internet, a netnografia, é uma ciência que estuda o comportamento humano amarrado a teias que ele mesmo teceu, sendo a cultura essa teia, e a antropologia busca seus significados. De acordo com essa ciência, a realidade não existe. O que existe é um sistema de códigos próprios de uma comunidade, sendo que somente essa pode entender e viver de acordo com um arcabouço singular, peculiar que foi instituído para comunicação e experiência compartilhada.

Então meu caros, se não existe realidade absoluta e a cultura é criada pelos homens em determinado contexto, é preciso nesse caso três elementos básicos para não gerar caos: - regras que ditam como será a convivência nesse grupo; a reciprocidade -  é preciso ter empatia e acreditar que terá retorno quaisquer comportamentos em favor do grupo (ou contra), um conluo onde a sociedade funciona, e a terceira; o compartilhamento de valores.Sem esses elementos, não se pode dizer que existe uma comunidade com cultura própria.

Dessa forma, de acordo com nosso paradigma a antropologia e todas suas variáveis, era uma ciência distante que estudava a vida dos mais longícuos aborígenes ou de índios amazônicos no extremo norte do Brasil, ou quem sabe um grupo de hippies que vivem no deserto do Atacama; ou seja, de acordo com nosso constructo social, a antropologia cuidaria de grupos restritos, com riscos de extinção ou de pouco interesse pela humanidade.

Eis que surge o mundo online e todas as suas possibilidades, grupos, tribos e comunidades comuns; em volume, escala e velocidade jamais vista no mundo físico e traz a luz a etnografia para anos ajudar a entender como vivem e o que buscam essas comunidades, como consomem e o que consomem! Ora, não necessariamente o on e o offline sejam realidades separadas – se a realidade é um código de valores, então podemos tratar os dois mundos de forma única e uniforme.

Dessa maneira, assim como no mapeamento de códigos culturais e comportamentais de um grupo presencial onde aprendemos sons, imagens, documentos e vivências, na WEB o antropólogo mapeará a estrutura de signos e significados do grupo. Tudo isso porque, as percepções de uma pessoa e de um grupo sobre um produto, marca e organização dizem muito mais sobre essa pessoa do que do produto e demais atributos que estão sendo observados. Porque não olhamos as coisas como elas são e sim como somos.

Ou seja, diga com quem andas que direi quem tu és, nunca foi tão bem aplicado!

 

Vera Lopes  

Marketing na Era Digital
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