[ editar artigo]

O Cringe de cada um

O Cringe de cada um

Nas últimas semanas, na Internet, só se fala em Cringe.

A geração Z, primeira a nascer num ambiente completamente digital, final da década de 90 até 2010, começou a expor diferenças geracionais entre eles e os Millennials (Geração Y), nascidos entre 1980 e 1994, e usaram a palavra Cringe para definir coisas que a geração anterior faz e que sugerem uma "vergonha alheia", algo que vai além do "mico".

Esse foi o início de uma "guerra" de gerações, e enquanto uns atacam, ainda que na brincadeira, outros se  defendem da mesma maneira. E nisso já se vão mais de 15 dias e milhares de usos da #cringe em todas as redes sociais.

No entanto, para se falar com propriedade sobre o Outro, sua identidade, as diferenças que permeiam o Outro e seu grupo de referência, precisa-se primeiro olhar esse Outro com o mesmo olhar que ele se vê. Não adianta a Geração Z olhar para os "pais de pet" ou "pagadores de boleto" enquanto eles não se colocarem naquele dia a dia, naquela realidade pela visão dessa geração, acompanhar de fato, experimentar, entender todo o porquê. Toda essa investigação é complexa e enquanto não for analisada dessa forma, com metodologia, não passará de simples especulação sem fundamento.

É a etnografia que permite que essa proximidade com o objeto de estudo e seus motivadores. Por meio da Etnografia o pesquisador vive a realidade do objeto de estudo junto com ele. No caso da Etnografia na Internet o campo de pesquisa torna-se todo o espaço de interações entre as pessoas. Precisa ter delimitação de tema (uso da palavra Cringe pela geração Z, por exemplo), amostragem e análise antropológica, pois, caso isso não ocorra, torna-se apenas um monitoramento de dados sem base metodológica, pura conjectura.

Portanto, tal discussão não poderá deixar de levar em consideração nem a questão etnográfica e nem o relativismo cultural, já que não existe uma cultura melhor que outra, apenas diferente, conforme a "guerra de gerações" anda pressupondo. Não existe forma correta de ver o mundo, nem melhor, cada um vê o mundo de acordo com o que conhece, como diria Anais Nin "Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos".

Marketing na Era Digital
Andréa de Souza
Andréa de Souza Seguir

Especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing pela UFG com experiência na área de marketing e eventos de mais de 20 anos, atuando na organização, planejamento, docência e treinamentos corporativos. Atuação no marketing digital desde 2012.

Ler conteúdo completo
Indicados para você