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Realidade virtual e evolução humana

Realidade virtual e evolução humana

A questão dos ambientes imersivos vai muito além dos avanços tecnológicos em relação à realidade virtual ou à realidade aumentada. A questão é como o cérebro humano capta e processa as informações, seja de maneira virtual ou real. Na verdade, para o cérebro tudo é real, ele não percebe a diferença entre um estímulo de uma experiência que vivemos no mundo físico e outra que é um estímulo por uma visualização criativa ou por uma experiência com um equipamento de realidade virtual.

Como isso acontece? Um conceito importante para RV é a presença. O conceito de presença envolve o estado de existir, estar presente em algum lugar, a presença no sentido de sentir que está presente em algum lugar. Não temos consciência dessa presença, mas é como o cérebro nos diz que a experiência é real, pois ele não percebe a diferença. Inclusive quando se atinge a presença em Realidade Virtual, o cérebro se torna mais preciso, há um pequeno aumento na ativação da memória e dos reflexos de resposta.

Em exames de ressonância magnética funcional do cérebro, é constatado que a RV ativa os centros motores do cérebro da mesma forma que a experiência física. A experiência com RV causa as mesmas reações emocionais e físicas da experiência real.

Isso pode trazer inúmeros benefícios, e oportunidades de negócios. Já é utilizada para treinamento em situações de alto risco ou atividades complexas, em educação, otimizando o aprendizado, em treinamento de equipes, treinamento em esportes, testes de carros, e entretenimento. Com certeza este período de isolamento social trouxe inúmeros insights de como uma experiência imersiva pode aliviar os sintomas de estresse e proporcionar experiências muito ricas para os clientes. Se isso já foi possível apenas com a interação pelas telas dos desktops e smartphones, calcule o que representa essa tecnologia de realidade virtual permitir o acesso a ambientes como estádios, shows, shoppings, faculdades, onde poderemos viver a experiência como se estivéssemos no próprio ambiente. 

Até mesmo em tratamentos de saúde, tratamento de dor em consultórios médicos, com terapia de distração, diminuindo a necessidade de analgesia, neurofeedback, e ainda pode ser muito estudada para auxílio na saúde mental. Pode ser usada em terapias de exposição para tratamento de pacientes com questões como estresse pós-traumático, para que as pessoas revivam a situação em um ambiente seguro e controlado. A RV tem facilidade em criar atalhos para o cérebro, auxiliando na terapia cognitivo comportamental. Levando-se em conta o número de pessoas com desordens mentais, que se tornam improdutivas, e com uma baixa qualidade de vida, um método que pode reeducar o cérebro de forma mais efetiva representaria um enorme benefício social e consequentemente para a economia, estimulando os empresários a investirem nessas pesquisas.

Mas além de oportunidades de negócios, a Realidade Virtual nos permite ver o mundo de uma forma diferente. Ao invés de ler sobre um assunto, podemos vivenciar a situação, como um ambiente de guerra, ou o que passam os refugiados, com documentários em RV dando compreensão maior do que essas pessoas passam. Ou vivenciar experiências com um avatar de um idoso, ou com um avatar de alguém de outra etnia, o que pode aumentar significativamente a empatia e a compreensão da pessoa em relação a aquela situação, auxiliando no aspecto social de conscientização e inclusão com um processo educativo de “literalmente” colocar-se no lugar do outro.

A Realidade Virtual, muito mais que entretenimento ou oportunidade de negócios, pode potencializar o modo de entendermos as diferenças entre o que sentimos, o que percebemos, o que achamos que é o real, e o que pensamos que sabemos, trazendo um profundo autoconhecimento quando bem utilizada, como toda tecnologia.

Marketing na Era Digital
Mariangela Basoli
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Terapeuta Integrativa Sistêmica, descobrindo que o Marketing tem muito mais a ver com o autoconhecimento e desenvolvimento pessoal do que imaginava...

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