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Seriam marqueteiros os professores?

Seriam marqueteiros os professores?

Sou profissional de Marketing faz mais de 20 anos. Tenho formação em Comunicação Social (Publicidade e Relações Públicas). Certo momento da vida decidi que precisava trabalhar menos para poder me dedicar à minha família, ao meu conhecimento e a outros projetos. Utilizando a minha formação de Magistério, me tornei professora em 2019. Concurso, 25 horas por semana. Não era a minha área, mas era a carga horária que eu queria.

Dei início ao processo de transformação profissional. Reaprender a ser professora. Estava começando a entender como tudo funcionava quando chegou 2020 e aconteceu o que todo mundo sabe. Os professores precisaram reaprender a ensinar. Logo agora que eu estava chegando.

Foi o momento que eu também fiz vários cursos em Educação e atualizações na minha área de formação (incluindo Marketing na Era Digital). Comecei a fazer conexões entre os conteúdos e percebi que Educação e Marketing tem muito mais em comum do que eu imaginava.

Kotler diz que “Marketing é a atividade humana dirigida para a satisfação das necessidades e desejos através dos processos de troca”. É uma troca que deve ser boa para as duas partes, bem diferente daquela ideia popular de que Marketing serve para “manipular”. Educar também é uma troca e deve assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano, mesmo que muitos ainda acreditem que para educar deve se impor.

Tanto Marketing quanto Educação lidam com pessoas. E como no processo de Marketing, a primeira coisa que preciso fazer quando começa o ano letivo é entender o meu público, meus alunos. De onde vieram, suas fortalezas, suas fraquezas, o que posso fazer para resolver as suas dores, sua jornada. Analisar o ambiente em que estão inseridos para planejar.

E quanto ao Composto de Marketing, quais seriam os 4 P´s na Educação, na relação alunos e professores?

Produto: O produto na Educação é o que precisamos ensinar. Vou chamar de conteúdo, mesmo compreendendo que educar é algo mais amplo, mas para esse comparativo com o Marketing fica mais fácil de entender o meu raciocínio.

Preço: A moeda de troca não é dinheiro. Claro, tem o salário do professor, mensalidade no caso das instituições particulares. Mas o valor nesse caso está no desenvolvimento do aluno, os benefícios que ele percebe quando aprende.

Praça: Quando presencial, com certeza é a sala de aula e outros locais para realização de atividades. Também conta a localização da escola, todos os estímulos nos espaços para a aprendizagem acontecer. Em tempos de aulas remotas, são os ambientes onde as interações acontecem. Pode ser Whatsapp, Google Classroom, Meet, Zoom, entre outros.

Promoção: Como vou comunicar o meu produto? Quando falamos de organizações, podemos utilizar propaganda, assessoria de imprensa, estratégias de comunicação de massa, digitais, eventos. São várias maneiras para se alcançar o objetivo junto ao público. Quando planejo aulas, tenho que pensar da mesma forma. Qual seria o melhor jeito do aluno compreender esse conteúdo? Pode ser um texto, um jogo, um vídeo, uma pesquisa, enfim, são várias possibilidades. E aqui está uma das maiores dificuldades no planejamento das aulas remotas. Já existia uma forma de comunicar o conteúdo que precisou ser alterada com a mudança do meio de comunicação com os alunos.

Marketing e Educação são áreas bastante amplas e complexas. Porém perceber essas conexões está me levando a grandes descobertas. É apenas o começo.

Imagem: Nikita Kachanovsky on Unsplash

Marketing na Era Digital
Leandra Gomes Gonçalves
Leandra Gomes Gonçalves Seguir

Publicitária e RP, com especializações nas áreas de Psicologia e Educação. Mais de 20 anos de experiência em departamentos de Marketing, trabalhando atualmente como professora. Descobrindo na prática que Comunicação e Educação tem muito em comum.

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