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"O ir a campo" na netnografia

O antropólogo para realizar uma pesquisa etnográfica deverá ir a campo e compreender os elementos que estruturam a cultura de determinada sociedade.  Ele irá além da observação e deverá interagir, vivenciar aceitando e se moldando àquela cultura investigada.  Ao final, o pesquisador irá descrever o caminho percorrido na decomposição dos comportamentos para decifrar os Valores, a visão do mundo e a ética (código moral) daquela sociedade.

Se a pesquisa etnográfica ocorre desta forma, como acontece “o ir a campo” na Netnografia? Ela será realizada pela análise das postagens e interações dos indivíduos em determinada comunidade digital. Neste caso, não ocorrerá o deslocamento físico do pesquisador.  A decomposição do comportamento dos indivíduos estará restrita ao hipertexto da internet.  As pistas serão fornecidas pelo mundo digital.

A Netnografia, criada pelo professor Robert V. Kozinets, é um método de pesquisa utilizado por empresas para identificar os Valores de um determinado grupo de internautas que podem ser potenciais consumidores da marca. O principal objetivo é traçar estratégias de marketing personalizadas.

O pesquisador poderá também utilizar o google analytics, pois esta ferramenta fornecerá um mapeamento de dados complementares como localização que irão ajudar a traçar o perfil do consumidor.

Na pesquisa Netnografia, o planejamento deve conter as etapas comuns de qualquer outro método de pesquisa, como: objetivos, justificativa, amostragem, profundidade e o período de pesquisa finalizando cruzando os dados obtidos com o conhecimento antropológico.

O campo etnográfico digital pode ser usado também para analise de comportamentos políticos, religiosos entre outros não somente para fins de compreensão de consumo de produtos e serviços.

O antropólogo digital mapeará os signos e significados daquela comunidade. Como por exemplo, os veganos. Entende-los através das suas postagens, do que compartilham e de suas interações. Para depois definir as estratégias de marketing e ajuda-los na tomada de decisão, ou seja, na compra do produto.

Finalizando, segundo a doutora Valeria Brandini, nesta imersão netnográfica é possível alcançar um mapeamento dos porquês dos Valores e de sensibilidade emergentes da contemporaneidade, que envolvem as verdadeiras motivações e inclinações dos indivíduos para ir a favor (ou contra) a produtos, marcas e organizações.

Marketing na Era Digital
Regina Rodrigues de Campos
Regina Rodrigues de Campos Seguir

Jornalista, Mestre em Relações Públicas, pela USP. Professora universitária desde 1999. Nesta fase profissional aprendendo sobre o marketing digital. O objetivo é desenvolver e lançar um site de notícias e me tornar uma empreendedora.

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