[ editar artigo]

Pertencimento ao Grupo

Pertencimento ao Grupo

A etnografia é “um método pelo qual os Antropólogos observam as culturas de grupos humanos, para descrever seus hábitos, língua, raça, religião e manifestações materiais de suas atividades”, e agora também suas manifestações digitais.

O Antropólogo Imerge na Cosmologia Cultural daquele grupo de pessoas, para observar todo o universo de significados daquela cultura. E qual o intuito disso? Gostei da definição da Valéria Brandini: “O Antropólogo estuda o outro para entender o nós”.

Porque tudo acaba girando em torno do grupo e da sobrevivência do grupo. Simplesmente porque geneticamente tiveram mais chance de sobreviver os seres humanos com capacidade de se reunir. Aqueles que não pertenciam ao grupo, ou por não serem aceitos, ou por não concordarem com as regras, ou por não querer estar em grupo, tinham muito maior probabilidade de serem mortos por animais ou por grupos rivais e consequentemente seus genes não se perpetuaram tanto quanto os que pertenciam ao grupo.

Isso ficou em nosso cérebro primitivo e até hoje percebemos reflexos disso. E em todas as culturas, desde bebês criamos sistemas de defesa para ter comportamentos adequados para conseguirmos antes de mais nada sobreviver, conseguirmos alimento e abrigo e mais tarde ter nossas necessidades e desejos satisfeitas, aprendendo quais comportamentos funcionam melhor para conseguir o que quer. Pense em um bebê recém nascido: quando quer alguma coisa chora, porque é a única forma que conhece de se comunicar, e aí é atendido em suas necessidades e desejos. Ou se não é atendido, morre. Então as duas únicas opções de um recém nascido é chorar ou morrer. E conforme vamos nos desenvolvendo, vamos aprendendo outras formas de comunicação de acordo com o grupo onde estamos inseridos. O problemas muitas vezes é quando encontramos ainda seres humanos adultos com o comportamento de recém nascidos. Sobreviveram apenas com o choro e passam a vida gritando pelo que querem, não aprenderam outras formas de se comunicar.

Mas voltando ao assunto do Pertencimento. O ser humano aprendeu que para sobreviver era mais seguro estar em grupo, e que para poder sentar junto com os outros em volta do fogo precisava seguir as regras desse grupo, senão morreria. Ponto. Agora, como agimos em sociedade com este cérebro primitivo que diz que “Se eu não pertenço, eu morro?”. Que códigos precisamos saber para continuarmos sentados ao redor da fogueira (no caso hoje as telas de desktops e smartphones)? Quais os comportamentos que precisam ser aprendidos?

É interessante observar estudando a mente e o comportamento das pessoas que a Tecnologia evolui, mas muitas pessoas ainda estão na angústia desse medo de não pertencer, e consequentemente, não sobreviver. Atendo muitas pessoas que se sentem inadequadas frente ao grupo digital, não se sentem seguras, e têm mais dificuldade em se adaptar e atender às solicitações do grupo. Essa questão já existia antes desse boom tecnológico, e conforme a velocidade aumenta, o que vejo é que essas pessoas vão se afastando da fogueira, e se não conseguem entender esse medo e essa angústia ficam à parte, paralisadas e sem ação. 

Com as tecnologias de comunicação atuais, neste período de quarentena foi possível continuar o acesso a algumas dessas pessoas, e aos poucos elas podem aprender que é seguro sentar em volta da fogueira de novo, e que tem o direito de pertencer ao grupo.

TAGS

Etnografia

Marketing na Era Digital
Mariangela Basoli
Mariangela Basoli Seguir

Terapeuta Integrativa Sistêmica, descobrindo que o Marketing tem muito mais a ver com o autoconhecimento e desenvolvimento pessoal do que imaginava...

Ler conteúdo completo
Indicados para você