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Etnografia Digital – O Mapeamento da Cibercultura de um Grupo

Etnografia Digital – O Mapeamento da Cibercultura de um Grupo

“As percepções de uma pessoa sobre um produto, marca ou organização, dizem muito mais sobre essa pessoa do que sobre o produto, marca ou organização que está sendo observada”.

A partir do momento em que enxergamos o mundo de acordo com o modo que vivemos, entendemos que “não enxergamos a realidade como ela é, mas como nós somos”. E a cultura, o lugar onde esta pessoa está inserida, seus valores que a acompanharam por toda a vida, vão influenciar totalmente suas escolhas, e o seu modo de pensar e agir. Por isso a importância das marcas entrantes em novos mercados, buscarem entender o mercado local, para não cometerem ofensas e nenhuma gafe com piadas sem nexo ou imagens que não condizem com a realidade dos que vivem ali.

As ferramentas tecnológicas, como, por exemplo, as pesquisas de recall com foco em hábitos de lazer e consumo e os dados de Google Analytics, são instrumentos do Netnografista para decodificar o consumidor, afim de gerar insights e ideias inovadoras. Um outro caminho é a observação do comportamento das pessoas em fóruns online e de navegação nas Redes Sociais, ou seja, quem segue, o que curte, o que compartilha, seus comentários, etc.

No entanto, mesmo com todas as ferramentas do mercado à disposição, em alguns momentos será necessário o profissional ir a campo, já que determinados tipos de informação, como o sentimento, os sons, as expressões de face ao se ouvir uma determinada frase, mesmo a mais tecnológica das ferramentas não irá entregar. Realmente só serão percebidas numa roda de conversa ou num tête-à-tête.

Em meados de 2020 pude participar de um Job de inauguração de loja de um cliente num bairro de classe AB na cidade de SP Capital, e na ocasião, além de contarmos com as pesquisas de audiência, penetração e afinidade dos meios, tivemos a disposição informações de uma pesquisa qualitativa realizada com pessoas de diferentes perfis moradoras do bairro.

Pra quem pode acompanhar a qualitativa de perto, considerou a experiência muito enriquecedora e compartilhou com os demais participantes do projeto alguns insights, por meio de um relatório denso, com anotações e detalhes de tudo que viram por lá. Enfim, dessa experiência resultou o entendimento de que se tratava de um público bairrista, apaixonado pelo lugar onde moram. Um bairro que dá valor as empresas que chegam com respeito aos locais e onde o cumprimento é algo que chama atenção. O morador queria se sentir representado e acolhido pela nova entrante.

No âmbito das ideias, ficou bem claro que a utilização de micro influenciadores locais seria uma ótima opção para impactar aquele público, já que foi identificado o boca a boca como uma das melhores formas de chamar a atenção. Ou seja, uma roda de conversa, ajudou a identificar uma ação para ser realizada em canal tipicamente online.

Ter um ponto de encontro na loja, com um visual bacana para as pessoas sentarem e conversarem, também foi identificado como um item que não poderia faltar, pois transformaria a loja num lugar de passeio ou num programa de sábado à tarde.

Tendo o exposto, finalizo o texto com a seguinte reflexão: “nós não olhamos as coisas como elas são, mas sim como nós somos”.

Marketing na Era Digital
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