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Os desafios do data-driven nos pequenos negócios

Os desafios do data-driven nos pequenos negócios

Há cerca de 11 anos me dedico a entender e propagar como o branding pode contribuir na gestão dos pequenos negócios que, segundo o SEBRAE, representam aproximadamente 99% das empresas registradas no Brasil. Um número bastante expressivo e que merece nossa atenção pelo potencial de desenvolvimento para os negócios e sociedade.

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Inicialmente a pesquisa se dedicou a entender como os micro e pequenos empreendedores gerenciavam suas marcas mesmo sem conhecer os conceitos de branding, tomando decisões de forma empírica que podia, ou não, trazer bons resultados.

A pesquisa evoluiu e foi constatado que o elemento do branding que mais estava presente na realidade desses negócios não era a identidade, a gestão da marca enquanto ativo ou a gestão integrada de todos os pontos de contato, mas sim o propósito.

O propósito é o que traz direcionamento para o negócio e marca, a partir dele se inspira ação nas pessoas, se estabelece relacionamentos duradouros e se conquista resultados superiores em relação aos concorrentes.

Uma das vertentes do propósito no ambiente dos negócios e marcas é o seu potencial estratégico, justamente pela sua capacidade de prover direcionamento aos negócios. Sem direcionamento, não é possível construir nenhuma estratégia consistente.

Sob essa ótica, a partir do propósito claro e bem definido, a marca e o negócio, que podem e devem ser encarados como indissociáveis, desdobram seus objetivos estratégicos. Sim, aqueles objetivos SMART (específicos, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e definidos no tempo) que tangibilizam o propósito, trazendo-o do plano das ideias para a realidade da gestão.

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Mas por que isso? Porque é com base nesses objetivos, ou seja, onde se quer chegar com a estratégia, que serão realizadas análises importantes, como a análise SWOT, que promove uma leitura do ambiente interno, com o entendimento das forças e fraquezas, e do ambiente externo, com o rastreamento das oportunidades e ameaças.

Essa poderosa ferramenta de análise, a matriz SWOT, muitas vezes acaba sendo negligenciada e preenchida sem muito entendimento do contexto geral.

É aqui que os dados começam a mostrar sua relevância. Afinal, não é possível analisar nada sem dados.

Para saber quais são suas forças, ou seja, aquilo no que o seu negócio é muito bom, se distanciando dos concorrentes, você precisa minimamente ter uma documentação do seu dia a dia, com métricas e KPIs que te proporcionam elencar elementos que de fatos façam sentido para o seu entendimento de força. Da mesma forma as fraquezas, como você identifica os pontos que precisam ser melhorados sem análises comparativas, feedbacks ou métricas de performance?

No ambiente, a mesma coisa, dados relativos a clima, economia, política trazem insights poderosos sobre tendências e possíveis ameaças e oportunidades. Conhecendo e analisando esses dados e, o mais importante, comparando-os com as forças e ameaças, internos ao negócio, é possível desenhar cenários e traçar planos de ação.

Esses planos de ação serão, então, definidos de maneira assertiva com a identificação prévia de KPIs, coleta de dados e posterior análise. Ou seja, munido de informações consistentes e planejadas, o gestor vai validar como cada uma das ações estabelecidas está contribuindo com os objetivos estabelecidos na estratégia.

Uma análise minuciosa que permite ao negócio ter uma visão clara de como seus recursos estão sendo investidos e o quanto de resultado estão trazendo, possibilitando potencializar pontos que estejam indo bem – incrementando possíveis vantagens competitivas – ou ajustar a rota em caso de resultados negativos.

Percebam que, sem falar de marketing, de digital, ou de tecnologias, a mentalidade DATA DRIVEN está presente nos pilares dos negócios.

A partir de uma estratégia bem definida, os mesmos dados, permitem que todas as ações necessárias para manter a cadeia de valor ativa sejam otimizadas.

A importância do digital para os pequenos negócios

Com o advento e consolidação do digital, negócios de todos os portes se beneficiaram, ganhando uma nova dimensão estratégica para entregarem valor com suas ofertas ao mercado.

Para os pequenos empreendedores, muito mais do que dar acesso a mecanismos de divulgação e vendas on-line, o digital permitiu que os empreendedores passassem a ter uma visão 360 sobre seus negócios, trazendo inteligência para a gestão.

A partir de uma estratégia bem definida e mensurável, o empreendedor consegue otimizar a maneira como transforma suas propostas de valor em produtos e serviços, bem como a maneira como ele torna isso disponível no mercado – por meio de uma gestão eficiente de marketing, passando por todos os níveis da jornada do negócio e do consumidor.

Mais uma vez o fator humano – representado aqui pelo pensamento crítico – é a grande linha divisora entre sucesso e fracasso. Não basta que as tecnologias do digital e os dados que elas são capazes de gerar existam, é preciso que os gestores as entendam, as estudem, testem suas aplicações e se permitam entrar em um ciclo virtuoso de progresso que, mesmo com etapas mais ásperas  de aprendizado, representam uma grande oportunidade para que esses negócios e marcas se consolidem em seus mercados e expandam sua atuação de maneira exponencial.

Marketing na Era Digital
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